Taxa de conversão: quanto é bom e como subir

Arte de abertura do artigo, na identidade da categoria Landing Pages

Resposta rápida

Não existe taxa de conversão boa fora do contexto. Página que recebe busca pelo nome da empresa costuma converter de 20% a 40%; landing page de anúncio com intenção de compra, de 4% a 12%; palavra genérica, de 1% a 4%; e-commerce, de 0,5% a 2%. Compare com o seu próprio histórico, mesma origem e mesma oferta.

Taxa de conversão é o número mais citado e o menos comparável do marketing digital. Duas páginas com os mesmos 3% podem estar em situações opostas: uma recebe gente que digitou o nome da empresa no Google e está desperdiçando quem já tinha decidido comprar; a outra recebe tráfego frio de uma palavra genérica e está indo muito bem. O número sozinho não informa nada.

Três variáveis decidem o que é bom no seu caso, e nenhuma aparece nos relatórios de benchmark que circulam por aí: de onde veio o visitante, o que você chama de conversão e quanto vale o que você vende. Busca pelo nome da sua empresa converte várias vezes mais que display. Clique no WhatsApp converte várias vezes mais que formulário com CNPJ e faturamento. E quem vende projeto de R$ 40 mil não deveria querer a taxa de quem vende curso de R$ 300.

A comparação que serve é com você mesmo: mesma página, mesma origem, mesma oferta, mês contra mês. As faixas abaixo existem para calibrar expectativa e para você desconfiar de número fora da curva. São referências de mercado tiradas da nossa operação, não metas.

Não existe taxa boa fora do contexto

A origem do tráfego é a variável que mais mexe no número, com folga. Quem busca pelo nome da sua empresa já decidiu, só falta o telefone. Quem busca o nome de uma categoria está estudando e vai pedir orçamento em outros três lugares. Quem viu um anúncio no meio de um vídeo não estava procurando nada. Somar essas três origens numa média produz um número com o qual não dá para decidir nada.

O tipo de conversão é a segunda variável. Toda exigência que você coloca antes de contar a conversão derruba a taxa e sobe a qualidade. Botão de WhatsApp converte alto e entrega lead cru. Formulário com CNPJ, faturamento e prazo de decisão converte baixo e entrega lead pronto para o comercial. O certo depende de quantos atendimentos o seu time aguenta por dia sem deixar ninguém esperando.

Faixas de taxa de conversão por origem de tráfego e tipo de ação contada
CenárioAção contadaFaixa que costumamos ver
Busca pelo nome da empresaClique no WhatsApp ou no telefone20% a 40%
Busca paga, palavra com intenção de compraFormulário curto ou WhatsApp4% a 12%
Busca paga, palavra genéricaFormulário de contato1% a 4%
Rede social, público frio, oferta de conteúdoFormulário de 3 campos5% a 15%
Rede social, público frio, orçamento B2BFormulário com CNPJ0,5% a 3%
Loja virtual, tráfego mistoCompra finalizada0,5% a 2%
Site institucional inteiroQualquer contato0,5% a 2%

Se a sua página está muito abaixo dessas faixas, quase sempre existe um problema mecânico antes de existir um problema de texto: formulário que não envia no celular, página que demora a aparecer, anúncio prometendo uma coisa e título entregando outra. Confira o encanamento antes de contratar redator.

Um ponto percentual vale mais do que parece

A forma mais comum de apresentar esse número é também a menos útil: a página converte 2%. Ninguém decide nada com isso. Apresente assim: com a verba que você já gasta hoje, 2% são 20 leads e 3% são 30. Mesma campanha, mesmo mês, mesma verba. Um ponto percentual é 50% mais leads.

A conta completa, com números redondos de propósito. Você coloca R$ 6.000 por mês em busca paga e o clique sai a R$ 6, então compra 1.000 visitas:

  • a 2%, são 20 leads e cada um custa R$ 300;
  • a 3%, são 30 leads e cada um custa R$ 200;
  • a 4%, são 40 leads e cada um custa R$ 150.

Para conseguir esses mesmos 10 leads a mais sem tocar na página, você precisa comprar 500 cliques a mais, ou seja, R$ 3.000 por mês, todo mês, enquanto a campanha existir. Mexer na página custa uma vez. É por isso que a ordem certa é arrumar a página antes de subir o orçamento, e não o contrário. Quanto cada lead custa hoje na sua conta é o assunto de custo por lead; quanto colocar na mídia depois que a página parou de vazar é o de quanto investir em Google Ads.

Detalhe de vocabulário: sair de 2% para 3% é ao mesmo tempo mais 1 ponto percentual e mais 50%. Quem quer impressionar escolhe o segundo; quem quer minimizar escolhe o primeiro. Peça sempre os dois, com o número absoluto de leads ao lado.

Onde o clique é caro, esse mesmo ponto percentual vale mais em reais. Campinas é uma das praças mais disputadas do interior em serviços, com uma concentração de agências, clínicas e prestadores que empurra o leilão para cima; em categorias assim o clique costuma sair entre R$ 4 e R$ 15. A R$ 12, cada visitante que a página deixa escapar custa o dobro do que custaria numa praça tranquila. Mesma página, mesmo erro, o dobro da conta.

Como medir sem se enganar sozinho

Antes de tentar subir o número, garanta que ele é o número. Três problemas de medição explicam a maior parte das taxas que não batem com o que o comercial vê.

O primeiro é o denominador. Sessões, usuários e cliques do anúncio são três valores diferentes para a mesma página, e a distância entre eles passa de 20% com facilidade. Um relatório que usa sessões em janeiro e cliques em fevereiro mostra uma queda que não existe. Escolha um, anote qual é e nunca troque.

O segundo é a média que esconde. A taxa do site inteiro sobe quando a marca cresce, não quando a página melhora. Separe por origem, no mínimo em quatro grupos: marca, busca genérica, redes sociais e acesso direto. São quatro números com comportamentos diferentes, e só um deles responde ao que você mexeu.

A média do site é o número mais fácil de melhorar sem fazer nada

Basta o tráfego de marca crescer que ela sobe. Se o seu relatório mensal traz uma única taxa de conversão para o site todo, ele não está medindo a sua página. Está medindo a sua fama.

O terceiro é contar como conversão algo que não é. Clique no botão do WhatsApp é intenção, não conversa: parte das pessoas abre o aplicativo e desiste antes de mandar a mensagem. Cruze cliques com conversas iniciadas uma vez e guarde a proporção, porque ela costuma surpreender.

Tem ainda um filtro que quase ninguém liga: lead atendível. Uma empresa em Campinas raramente vende só para Campinas. O normal é atender a região metropolitana inteira, de Valinhos e Vinhedo a Sumaré, Indaiatuba e Paulínia. Se a sua entrega tem raio e o formulário não pergunta a cidade, a sua taxa conta leads que a operação vai recusar. Já vimos página com alta de conversão que era só aumento de gente fora do raio, e ninguém percebeu por dois meses.

Por que o teste A/B da sua empresa provavelmente não conclui nada

Teste A/B virou sinônimo de otimização e é justamente a parte que menos funciona em empresa de porte médio. O motivo é aritmético, não de disciplina. Detectar uma diferença pequena entre duas versões exige muita amostra, e a maior parte das páginas de PME não tem esse tráfego nem em um ano.

A regra de bolso, para 95% de confiança e 80% de poder, que é o padrão dos calculadores: visitas por versão ≈ 16 × p × (1 − p) ÷ d², com p sendo a taxa atual e d a diferença absoluta que você quer detectar, ambos em decimal. Aplicada, dá isto:

Amostra necessária por versão para detectar ganhos de conversão e tempo correspondente
Taxa atualGanho que você quer provarVisitas por versãoTempo com 200 visitas por mês
2%para 3% (mais 1 p.p.)cerca de 3.90039 meses
2%para 2,4% (mais 0,4 p.p.)cerca de 21.500quase 18 anos
5%para 6% (mais 1 p.p.)cerca de 8.30083 meses
5%para 7,5% (mais 2,5 p.p.)cerca de 1.50015 meses
10%para 12% (mais 2 p.p.)cerca de 3.90039 meses

Com 200 visitas por mês e duas versões no ar, cada uma recebe 100. Daí a última coluna, e daí quase todo relatório de teste A/B que chega até nós estar descrevendo ruído com cara de descoberta.

O segundo erro é pior que o primeiro porque parece disciplina: acompanhar o painel todos os dias e encerrar o teste no dia em que a versão nova está na frente. Isso não é teste, é seleção do melhor dia. Quatro conversões contra uma em três dias não significa nada, e a versão que ganhou na terça costuma perder no fechamento do mês. Data de término e amostra mínima se definem antes de o teste subir.

Com volume baixo, pare de testar cor de botão e troque coisas grandes: oferta, título, formulário inteiro, canal de resposta. Diferença grande precisa de menos amostra, e a tabela acima mostra o tamanho do desconto. Rode semanas fechadas, porque terça e domingo não se comportam igual. E assuma o que isso é: decisão sob incerteza, com método, não prova estatística.

A ordem das alavancas que realmente movem o número

Esta é a sequência que usamos, do que mais devolve por hora de trabalho para o que menos devolve. Os outros textos de páginas de campanha detalham cada uma delas.

1. Correspondência entre o anúncio e o título. Se o anúncio promete instalação em 48 horas e o título da página fala em soluções integradas, o visitante entende que errou de endereço e volta. Resolve-se numa tarde e é a que mais encontramos quebrada, sobretudo em conta com muitos grupos de anúncio apontando para a mesma página.

2. Velocidade. Quem clicou no anúncio já foi pago. Cada segundo até a primeira tela aparecer devolve gente para o resultado de busca, e no celular em rede móvel isso é brutal. Os limites que valem a pena perseguir e como medir sem chutar estão em Core Web Vitals.

3. Número de campos. Cada campo é uma chance de desistir. Nome e WhatsApp resolvem a maioria dos casos. Campo de qualificação derruba a taxa de propósito, e às vezes compensa. O critério objetivo: só peça o que muda o que o vendedor vai fazer na primeira ligação. Se a resposta não muda nada, o campo está ali por curiosidade e está custando lead.

4. Prova que quebra a objeção certa. Prova genérica não move nada. A objeção real costuma ser uma de quatro: preço, prazo, risco de dar errado ou dúvida se serve para o caso específico da pessoa. Para preço, funciona faixa de investimento visível. Para prazo, número de dias. Para risco, garantia escrita. Para adequação, exemplo do mesmo tipo de negócio. Colocar depoimento onde a objeção é preço é decoração.

5. Canal de resposta. WhatsApp converte mais que formulário na maioria das ofertas de serviço; formulário qualifica melhor. Oferecer os dois com hierarquia clara costuma ser o melhor arranjo. E há um item que não aparece na taxa mas decide a venda: a mesma taxa vale o dobro quando o retorno sai em minutos.

Nada disso conserta campanha apontada para a palavra errada: a página só converte quem chega até ela, e isso se decide antes, na gestão de mídia paga.

Os erros que mais vemos

Comparar com a média do setor. O relatório que anuncia taxa média de 2,35% não diz qual denominador usou, que mistura de origens tinha na amostra, nem se contou clique de WhatsApp. Serve de conversa de corredor, não de meta.

Trocar tudo e não anotar nada. Mudança grande é o caminho quando o volume é baixo, mas tem preço: você ganha a decisão e perde o aprendizado. Compense anotando o que mudou e em que data, num arquivo só. Sem isso, seis meses depois ninguém sabe por que a página melhorou.

Subir a taxa derrubando a qualidade. Isca genérica, promessa vaga e formulário sem qualificação sobem o número no painel e entopem o comercial. O custo por lead cai, o custo por venda sobe. É a troca mais fácil de fazer sem perceber.

Otimizar a página com o formulário quebrado. Já perdemos tempo redesenhando seção enquanto o envio caía numa caixa de e-mail que ninguém abria. O teste leva dois minutos: preencha o próprio formulário pelo celular, com dados reais, e veja se a mensagem chega, para quem chega e em quanto tempo alguém responde.

Contar a mesma pessoa várias vezes. Reenvio de formulário, clique repetido no botão de WhatsApp e teste da própria equipe entram na conta. Configure a conversão como única por sessão e exclua o IP do escritório.

O próximo passo

Não comece redesenhando. Comece montando a tabela do mês passado com quatro colunas: origem, visitas, conversões e taxa. Se você não consegue preencher essa tabela hoje, o problema não é conversão, é medição, e nenhuma mudança de página poderá ser avaliada até isso estar de pé.

Com a tabela na mão, olhe a linha da origem paga e aplique a conta da segunda seção. Ela diz em reais quanto vale um ponto percentual no seu caso, e é esse número que decide se o passo seguinte é ajustar título e formulário ou refazer a página de campanha do zero, escrita em código.

Perguntas frequentes

Qual é uma boa taxa de conversão para uma landing page?

Depende da origem do tráfego. Landing page que recebe busca com intenção de compra costuma ficar entre 4% e 12%. Palavra genérica derruba para 1% a 4%. Público frio de rede social com oferta de conteúdo fica entre 5% e 15%. Compare com o seu próprio histórico na mesma origem, nunca com médias de relatório.

Como calcular a taxa de conversão de uma página?

Divida as conversões pelas sessões da página no mesmo período e multiplique por 100. O erro comum é trocar o denominador no meio do caminho: sessões, usuários e cliques do anúncio produzem três números diferentes para a mesma página, com distância fácil de 20% entre eles. Escolha um e mantenha a série inteira nele.

Quantas visitas preciso para rodar um teste A/B confiável?

Para provar um ganho de 2% para 3% com 95% de confiança e 80% de poder são cerca de 3.900 visitas por versão, quase 7.800 no total. Com 200 visitas por mês na página, isso levaria mais de três anos. Abaixo desse volume, decida por julgamento e faça mudanças grandes.

Aumentar a taxa de conversão é sempre bom?

Não. Isca genérica e formulário sem qualificação sobem o número e derrubam a qualidade do lead. O custo por lead cai, o custo por venda sobe e o comercial gasta o dia atendendo quem não compra. Acompanhe até a venda, ou pelo menos marque quantos leads eram atendíveis pela sua operação.

O que muda mais rápido a taxa de conversão de uma página?

A correspondência entre a promessa do anúncio e o título da página. É a alavanca mais barata de mexer e a que mais encontramos quebrada. Depois dela vêm a velocidade de carregamento, o número de campos do formulário, a prova que responde à objeção real e o canal de resposta oferecido.

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Conteúdo revisado por Guilherme Huios — atualizado em .

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